30 de out de 2009

Dica de filme: Modigliani, Paixão pela vida


Andy Garcia não poderia interpretar melhor a obsessão pela arte!


Paris, 1919, Modigliani, pintor italiano de origem judaica, um artista bonito e boêmio, usava álcool e outras drogas. Com Jeanne, viveu uma paixão que durou até a morte. Ela, católica, enfrentou tudo e todos para ficar ao lado do amado. Em suas obras, ele a pintava sem retratar os olhos, e dizia: “Só pintarei os seus olhos quando conhecer a sua alma...”


Modigliani e Picasso apresentavam brigas públicas e ofensas mútuas, e freqüentavam um bar de artistas. O caráter amoral e perverso do espanhol humilhava o frágil e alucinado italiano. O filme reproduz um diálogo entre eles que realmente ocorreu:

Picasso- Sabe qual é a diferença entre Picasso e Modigliani?

Modigliani- (Receoso) Não...

Picasso- (Sorrindo zombeteiramente) O sucesso!

Picasso provocava até a loucura pintores que ele considerava potencialmente bons, para que, movidos pelo ódio a ele, pudessem ir mais longe em suas habilidades. A raiva, sabia ele, sempre foi o motor mais poderoso a impulsionar o gênio humano.

Nessa rivalidade, os dois resolveram participar de um concurso com outros pintores famosos, no Salon des Artistes. Todos os importantes artistas da época trabalharam muito em suas obras. Ao final, Modi foi aplaudido calorosamente, inclusive por Picasso, por Jeanne, obra que retratava sua mulher, e dessa vez, com os belos olhos abertos.



Enquanto era aguardado no Salão dos Artistas, já bem doente e bastante alcoolizado, foi assaltado, apanhou quase até a morte e no hospital veio a morrer. Sua Jeanne, grávida de outro filho seu, não suportando a vida sem ele, se atirou de uma janela, matando ela e o filho que esperava.


A perspectiva sob a qual Modigliani olhou o mundo é uma peculiaridade. A deformação que produziu, na realidade mostra uma beleza rara e especial. A mulher de sua vida, foi sua musa principal. O último quadro que fez dela, poucos dias antes de morrer consumido pelas drogas e pela tuberculose, foi vendido recentemente em Londres, por quase 6 milhões de dólares. Em vida, ele jamais sonharia com algo assim.


Cena do filme com Elsa Zylberstein e Andy Garcia.

19 de out de 2009

Uma obra reinterpretada

Desenvolvido para a disciplina Arte e Moda, ministrada por Lucia Isaia, na Pós-Graduação no SENAC-RS
FEMME AU CHAPEAU (Woman with Hat)

Retrato da esposa de Matisse, Amélie Parayre, chapeleira e seu ofício havia mantido várias vezes o sustento da família. Trabalhou com a tia, dona da Grande Maison des Modes no boulevard Saint-Denis. Quatro anos depois e há um ano casada com Matisse, abriu a própria chapelaria, graças aos contatos da tia.
Porém, em 1902, faliu, devido ao envolvimento de seu pai num escândalo político e financeiro. Em 1903, voltou a trabalhar com a tia.
O retrato foi pintado rapidamente porque Matisse estava muito ocupado com a pintura de uma paisagem maior e mais elaborada, a qual ele havia planejado para ser a pintura principal da sua exposição no Salão.
Aos meus olhos, Amélie está sentada em uma cadeira de encosto vermelho, com a mão apoiada numa bengala. Ela segura um leque aberto e um ramalhete de flores dadas por Matisse a fim de alegrá-la, em sua mão direita, junto a um lenço. A mão esquerda parece repousar no seu colo. Usa luvas com abotoamento e um vestido com ombros levemente bufantes e cintura marcada.
O chapéu provavelmente tenha sido confeccionado pela própria Amélie, e era o mais belo entre os que possuía. Ela exercia seu ofício de chapeleira, possibilitando que seu marido continuasse pintando em tempo integral. Portanto, o chapéu pode não ter sido pintado inocentemente: ele representa o sustento de Matisse. O chapéu é abstrato: o pintor não se preocupou em mostrar os detalhes. Seu caráter espetacular não tira nossa atenção da expressividade do rosto de Amélie.



MINHAS RELEITURAS SOBRE A OBRA:

Podemos compará-lo ao pintado por Cézanne dois ou três anos antes, Mulher de azul, já que ele servia de referência para Matisse.

Carmem Miranda apresenta semelhanças nos desenvoltos ornamentos da cabeça e em suas cores alegres e gritantes.



Frida Kahlo apresenta feição semelhante à mulher de Matisse, com sobrancelhas bem definidas, além da boca vermelha marcada e ornamentos na cabeça. Suas cores intensas assemelham-se.




Philip Tracey demonstra talento em seus trabalhos, e desenvolve lindos chapéus, assim como Amélie fazia. Na foto, chapéu de Philip com cores da obra de Matisse.





A produção pode ser lida como uma releitura moderna do quadro de Matisse, pela semelhança de cores e traços.




A parte vermelha da pintura atrás de Amélie pode ser interpretada como esta poltrona desenvolvida pelos Irmãos Campana.





Se Amélie vivesse nos dias atuais, estaria vestindo este look de Herchcovitch (NY S/S 2010). Assim como na obra, com ombros estruturados, cintura marcada e cores vivas e formas superfemininas.




A estampa da chita carrega elementos como cor e traços que lembram a obra.




Se Matisse fosse retratar sua mulher hoje, talvez a melhor forma seria em graffiti.



O culto ao corpo e a busca de soluções em cápsulas fariam parte da vida de Amélie.




Bastante vaidosa, criativa e ousada, trocaria seu leque por uma bolsa Louis Vuitton, usaria All Star e estaria escutando o último sucesso de LadyGaga em seu iPod.

FEMME AU CHAPEAU EM 2010

Observando meu entorno vivencial, decidi experimentar Amélie Parayre na exarcebada urbanização de uma metrópole no mundo moderno:

"Ah, Amélie... se vivesses hoje em dia
Sentarias em uma poltrona Campana
Mesmo estando com pouca grana.
Sem telas, pincéis ou tintas
Teu retrato sairia de uma câmera digital
Mas só depois de fazer escova progressiva, passar blush, coisa e tal.
Ah, e photoshop pra melhorar o visual.
Substituir o leque por uma revista seria uma boa hipótese
E não segurarias bengala, pois teria prótese.
Tua roupa de brechó, bolsa da Vuitton e All Star
Revelariam tua personalidade bipolar.
A babá pegaria as crianças na escola, inglês e natação
E tu não terias tempo para dar-lhes atenção.
Teus problemas de saúde seriam logo resolvidos:
Nada melhor do que muitos comprimidos!
Drenagem linfática, sibutramina e musculação
Ajudariam a manter o corpão.
Tu passarias por crises de carência
E dirias que o mundo é duro
Porque Matisse não estaria com você: estaria pichando muro!
Trabalharias muito para conseguir algum dinheiro
E se teu negócio não desse certo
Tua tia até te empregaria
Mas precisarias de Prozac pra ajudar na terapia.
Detesto arruinar sonhos alheios
Mas não acho que Matisse seja um bom partido
Poderias ter escolhido bem melhor um marido!
Ele não é ambicioso e fica em casa o dia todo!
Se eu fosse tu, leria seus históricos do MSN
Só quando não tivesse em TPM.
Ele até pode ser um cara adorável,
Talvez para um rolo, mas não para uma união estável!
O playboyzinho francês largou a faculdade de direito
Porque acha que na pintura leva jeito
E uniu-se a alguns desmiolados
Sabe-se lá se são viados!
As feras, eles dizem ser
Mas eu não quero nem saber!
Sustentar um marmanjão
Só porque ele te usa como
elemento de criação?
Vá lá que ele faça graffiti
Mas tem coisas que não se admite!
A única solução para curar tua depressão
É correr até a advogada e entrar com o pedido de separação".
'Poesia trash', diga-se de passagem...