26 de dez de 2009

Paul Smith for Evian





Adorei a linha assinada por Paul, achei de extremo bom gosto, e não poderia ser diferente. O site dele tá bem bonitinho. Com animaçõezinhas legais e bem clean, sem tanta frescura assim [só a da água]. Quero essas garrafinhas de água fashion prá mim!


10 de dez de 2009

De cabeça pra baixo

'Inspiradinhos' em Viktor & Rolf... A GAP virou uma loja do Canadá de cabeça pra baixo...



Manequins, mesas de exposição, espelho... tudo foi invertido. Do lado de fora, além da vitrine virada, 3 carros e uma carroça de cachorro-quente foram dispostos ao contrário.



Toda essa reviravolta foi feita pra divulgar “Sprize”, um programa que o cliente recebe a diferença do produto que comprou, caso o preço diminua em 45 dias.



Nada se cria, tudo se copia, ok. Ainda assim a estratégia conseguiu chamar a atenção.

Só não sei se ela realmente funciona: eu não conseguiria ficar muito tempo ali. Ai, tô tonta!

5 de dez de 2009

Enquanto isso na aula de pesquisa de moda 3...

"Quem melhor escreve é quem menos sabe..."

Enquanto isso na aula de pesquisa de moda 2

"Tudo o que podia ser feito criativamente na moda, já foi feito. Não há mais formas para inventar nas roupas. Temos duas pernas, dois braços, um tronco e uma cabeça. Deu!"

Enquanto isso na aula de pesquisa de moda...

"Encontre sua minoria, porque na maioria vai ficar difícil de se achar".

2 de dez de 2009

Coral Chic da Colorama

Tô com uma mania que nunca tive: comprar esmaltes. Antes, me contentava com os da manicure mesmo. Mas não teria como ser diferente, porque cada linha que é lançada pelas marcas surpreende: uma cor mais linda que a outra! Eu entro na farmácia para comprar aspirina e saio de lá com um (2, 3...) vidrinho novo! Esqueço até da dor de cabeça!
Confesso: alguns eu só compro, ainda não tive coragem de usá-los. Fazer o quê?


Comprei o coral chic da Colorama e adorei! Superverão, chic e moderno! Tem uns brilhinhos dourados que devem ficar lindos no sol... (com esse tempo fechado, não pude conferir ainda)! Ah, tem que passar três camadas!

Hitchcock e Louboutin

O mestre do suspense, Alfred Hitchcock, conseguiu fazer da cena do assassinato em Psicose (1960), uma das mais vistas, comentadas e reprisadas da história do cinema.

 O mestre dos calçados, Cristian Louboutin, aproveitou-se disso para conquistar mais clientes. Adepto a investir nos curtas para anunciar produtos e lançamentos, e rodando sempre esses filmes em tom acima do convencional em suas lojas, ele dirigiu Psycho-logic, um curta que é hit no Youtube, reinterpretando a famosa cena. Assiste aqui!

Esses vídeos são a maior tendência do mercado de moda e não tem como não amar o conceito apresentado numa estratégia diferenciada e com um valor artístico singular.

 A modelo Elisa Sednaoui, interpreta a vítima e o próprio Louboutin interpreta o matador que a assassina com um salto.


 Já nas cenas seguintes, o pesadelo transforma-se em sonho. Ela é jogada num paraíso botas, saltos altíssimos e meia-patas, com solas vermelhas combinadas a muita cor e paetês. Como num conto de fadas, o designer de calçados acaba entregando o 'sapatinho de cristal' para sua 'Cinderela'.

30 de nov de 2009

Joias de Brad e Jolie

Brad Pitt e Angelina Jolie criaram uma coleção de joias ma-ra-vilhosa, chamada de "O Protetor", com direito a ouro branco, amarelo e rosa e muitas pedras preciosas.

Cobras são o tema das peças, animal que Jolie considera símbolo de proteção de sua família.

O açucareiro com alça em formato de cobra faz parte dos objetos de prata criados para casa.

Tem cobra decorando até colheres de prata para bebês, que custa US$ 525!!!!

A renda é revertida à fundação de apoio às crianças criada por Angelina. Bacana, né?!

25 de nov de 2009

Shag bands



Tá rolando um bafafá! Agora a moda entre as inglesinhas é usar "shag bands" (pulseirinhas de plástico coloridas - algo como ''pulseiras do sexo''). Cada cor representa um ato afetivo ou sexual (bem sexual, até!) que a menina deve fazer caso o menino consiga arrebentar a pulseira. (Vale usar tesoura? Cá pensando com meus botões: o piá fica ali tentando arrebentar, fazendo mó força, e neguinha fica com o braço parado, e ainda fazendo o tipo: não tô vendo nada. Mas se por acaso você conseguir arrebentar a pulseira sem querer, terá uma bela recompensa)! Ah, pra cima de mim, não! Que putaria é essa?

A moda está causando enorme polêmica entre pais e professores,pois meninas de oito anos de idade já usam as pulseiras, e algumas escolas já proibiram o uso.

Muitos dizem ser uma brincadeira de criança, que as meninas não fazem o que as cores determinam e que jogos com fundo sexual não são novidade no parquinho. Porém, a prática expõe as crianças a termos sexuais que não conheceriam de outra forma, promovendo a erotização infantil. Agora temem que a proibição só vai torná-las mais desejáveis. Será?

19 de nov de 2009

Afinal, o que é sedução?

Do dicionário: “inclinar artificialmente para o mal ou para o erro, enganar ardilosamente, desonrar valendo-se de promessas, atrair, encantar, fascinar, subordinar para fins sediciosos...” Seria então algo ruim?

É extensa a gama de artifícios para seduzir que talvez ajam como algo enganoso. Porém, a natureza possui habilidosas sutilezas para levar cada um à conquista do que deseja (ou seja: para a continuidade das espécies). Há inúmeros tipos de sedução em todo tipo de relação. Seduzimos todo o tempo, de forma consciente ou não.

Definitivamente, ela está dissociada da beleza, e totalmente amarrada a outros atributos. Você seduzirá ao jogar os cabelos para trás, ao executar bem um trabalho e ao elaborar um prato saboroso. As propagandas, enganosas ou não, são sempre sedutoras.

Na relação homem e mulher, temos na história Adão e Eva, Helena de Tróia e Cleópatra. Já “Amélia”, da música de Mário Lago é sedutora por sua submissão em uma sociedade patriarcal, onde o homem é o mantenedor da mulher. (manutenção -mano, mão -tener, ter). Ou seja, seduzia submissamente para sobreviver.

Contrapondo, a personagem de Rita Hayworth, Gilda, mostrou sensualidade em vestidos tomara que caia, piteira, cabelos longos e ondulados, olhar fatal e charme inigualável para atrair o sexo oposto.




Tarsila do Amaral seduziu com a beleza de suas obras e ideias revolucionárias. Seduziu Oswald de Andrade pintando Abaporu. Vaidosa, frequentava festas de alta sociedade, sempre elegante:
“Fui lindamente vestida com um Patou, com um chapéu de 350 francos muito lindo. Estive, um dia antes, num jantar dos artistas do Salão das Tulherias. Artistas de valor e outros medíocres. Estreei meu vestido amarelo de Chez Patou. Parecia uma rainha. Todos os olhares convergiam para mim”. Conta a artista por correspondência aos pais, transcrito no livro Tarsila por Tarsila.
 



Marilyn Monroe, símbolo sexual da década de 1950, protagonizou filmes e mostrou sua beleza deslumbrante, suas curvas, lábios carnudos sempre com muita sensualidade.
 



Nos anos 60, Leila Diniz chocou conservadores, revolucionando comportamentos com sua autenticidade. A atriz foi a primeira mulher mulher brasileira a posar grávida de biquíni na praia. Afrontou a censura com palavrões, resultando no “Decreto Leila Diniz”. Defensora do amor livre e prazer sexual, declarou: “Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra”.


 
 
Lady Di seduziu o mundo com a doçura do sorriso. Apoiou campanhas contra minas terrestres e combate à AIDS. Em 1987 foi a primeira celebridade a ser fotografada tocando alguém com o vírus. Sua elegância e carisma conquistaram mulheres, que buscavam usar roupas e cabelo parecidos com os dela.
 



Madonna é influência não só por suas música, mas também é ícone por seu comportamento surpreendente e inovador. A popstar dita tendências e seduz diversos públicos, de diversas formas, desde Like a Prayer.


Livro da Prada



A história da Prada poderá ser encontrada numa versão capa dura de 708 páginas em 2010. A obra promete contar a influência da grife na moda, cinema, publicidade e arquitetura, além de toda sua trajetória histórica. Serão 3885 imagens em miniatura de bolsas e sapatos, além de fotos dos produtos mais famosos e de todo o processo criativo da marca comandada por Miuccia. Eu quero!

Angels em Fashion Show


As tops Marisa Miller, Heidi Klum, Alessandra Ambrósio, Miranda Kerr, entre outras mulheres maravilhosas, elencaram o time do Fashion Show da Victoria's Secrets, que aconteceu hoje, dia 18, em NY.

18 de nov de 2009

Pink is the color of fashion

Num look total pink ou usada como acento em um acessório, a cor é garantia de sucesso. Faça como as it girls, e abuse do pink no verão. Já que a estação pede tons intensos, nada melhor e mais feminino que este. Sem Penélope, só Charmosa!





- Macacão plush Renner, Biquíni com bojo Clube Bossa, Melissa Flower por Isabela Capeto, Bolsa Atelier Moretti para Lool, Scarpin Arezzo e Esmaltes Colorama, Artdeco e Givenchy.

A moda de não comprar

Ser fashionista está por fora. Agora o bacana é ser recessionista: um consumidor que gasta pouco, frequenta pontas de estoque e não se incomoda em repetir roupas. Para eles, velho é vintage. Seu consumo é consciente, inteligente e de bom gosto (tem que ter talento para garimpar achados e consumir pouco).

Antes da crise, só um em cada cem artigos comprados eram mantidos pelo consumidor por mais de seis meses nos EUA, o resto ganhava substituto antes disso. Agora, cada dia mais são lançandos produtos e propagandas adequados ao não-consumo como resposta a problemas econômicos e ecológicos.

A francesa Bourjois, apresentou a “coleção recessionista”, com batons, máscaras e blushes baratinhos.

O jornal inglês The Sunday Times publicou frases interpretadas a partir do recessionismo:
redecorar o quarto = reorganizar a prateleira de livros
adquirir um novo cachecol = aprender a fazer tricô

 Segundo Ricardo Oliveros, editor de moda Playboy: “Paga-se caro quando a gente não está seguro de si ou de seu estilo”. (Identificar valor agregado e valor real e investir na qualidade de corte e tecido é um bom começo para quem quer ser como esses bacanas mas não consegue deixar de comprar).

Mais em: http://therecessionista.blogspot.com/

13 de nov de 2009

A publicidade da Sisley

Descobri que a publicidade da Sisley é extremamente polêmica e peculiar. São sátiras bem pensadas e explícitas, acompanhadas de um apelo (normalmente) sexual, onde somos capazes de interpretar uma infinidade de outros significados. Eu passaria a vida brincando disso!
O conceito criativo da marca, a distribuição de formas, luzes e cores fazem-me sentir como uma criança em loja de doces!

Tem muita coisa bacana, ó:




12 de nov de 2009

A Garota da Echarpe Verde me encanta

Trechos da Becky que acho o máximo:

"Sabe quando você vê um bonitão e ele sorri e seu coração meio que derrete feito manteiga em pão quente? Bem, é isso que eu sinto quando vejo uma loja. E aí seu coração dispara e quando você se dá conta..."



"Tudo bem. Não entre em pânico. É só uma conta do VISA. Só um pedaço de papel; alguns números. Quero dizer, que poder têm uns poucos números para nos amedrontar?

Pela janela do escritório, olho para um ônibus descendo a Oxford Street. Quero abrir o envelope branco sobre minha escrivaninha desarrumada. “É só um pedaço de papel”, repito para mim mesma pela milésima vez. E não sou burra, sou? Sei exatamente qual é o valor desta conta do VISA.


Mais ou menos. Vai ser cerca de… 200 libras. Talvez trezentas. Sim, talvez trezentas. Trezentas e cinqüenta no máximo. Indiferente, fecho os olhos e começo a calcular. Teve aquele tailleur na Jigsaw. E aquele jantar com Suze no Quaglino’s. E aquele lindo tapete vermelho e amarelo. O tapete foi 200 libras, imagine. Mas definitivamente valeu cada centavo — todos o admiraram. Pelo menos a Suze.

E o tailleur da Jigsaw estava em liquidação — por 30% a menos. Portanto, na verdade, foi uma economia de dinheiro.
Abro meus olhos e estico a mão para a conta. Quando meus dedos alcançam o papel, lembro-me das novas lentes de contato. Noventa e cinco libras. Um bocado. Mas, afinal, tive que comprar, não tive? O que devo fazer, andar por aí sem enxergar nada?
E precisei comprar umas loções novas, uma caixinha bonitinha e um delineador hipoalergênico. Isto eleva para… quatrocentos?
De sua mesa de trabalho na sala ao lado, Clare Edwards olha para mim. Está separando todas as suas cartas em pilhas como faz todas as manhãs. Embrulha cada uma num elástico e as classifica com dizeres do tipo “Responder imediatamente” e “Responder sem urgência”. Odeio Clare Edwards.

— Tudo bem, Becky? — diz ela


— Tudo bem — digo com um ar leve. — Só estou lendo uma carta.

Com um ar feliz, enfio a mão no envelope, mas meus dedos não tiram a conta. Ficam grudados nela enquanto minha mente fica tomada — como acontece todo mês — por um sonho secreto.
Quer saber do meu sonho secreto? Ele se baseia numa história que li uma vez no jornal a respeito de uma confusão ocorrida num banco. Gostei tanto que recortei e fixei na porta do meu armário. Duas contas de cartão de crédito foram enviadas para pessoas erradas e — imagine só — as duas pagaram a conta errada sem perceber. Elas pagaram as contas uma da outra sem nem mesmo examiná-las.
Desde que li aquela história, tenho um sonho secreto: que o mesmo acontecerá comigo. Alguma velhinha caduca em Cornwall vai receber minha conta colossal e pagar sem nem mesmo olhar para ela. E eu receberei sua conta de três latas de comida de gato, a 59 centavos cada uma. Que, naturalmente, pagarei sem questionar. Justiça é justiça, afinal.


Um sorriso toma conta do meu rosto quando olho pela janela. Estou convencida de que este mês isto vai acontecer — meu sonho secreto está para se tornar realidade. Mas quando, finalmente, tiro a conta do envelope — irritada com o olhar curioso de Clare — meu sorriso esmaece, depois desaparece. Uma quentura bloqueia minha garganta. Acho que pode ser pânico.


A folha fica preta com a quantidade de letras. Uma série de nomes familiares passam pelos meus olhos como um shopping. Quero entender mas eles se movem muito rapidamente. Thorntons, consigo enxergar por um instante. Thorntons Chocolates? Que diabos eu estava fazendo na Thorntons Chocolates? Eu deveria estar de dieta. Esta conta não pode estar certa. Isto não pode ser meu. Não posso ter gasto todo esse dinheiro.
Não se desespere, grito por dentro. O segredo é não entrar em pânico. É só ler cada nome devagar, um por um. Inspiro profundamente e me forço para ler com calma, começando do alto da lista.


WH Smith (tudo bem. Todo mundo precisa de artigos de papelaria)


Boots (idem)


Specsavers (essencial)


Oddbins (garrafa de vinho — essencial)


Our Price (Our Price? Ah, sim. O novo CD dos Charlatans. Bem, eu precisava tê-lo, não é?)


Bella Pasta (jantar com Caitlin)


Oddbins (garrafa de vinho — essencial)

Esso (gasolina não conta)


Quaglino’s (caro — mas foi imperdível)


Pret à Manger (naquele dia eu estava sem dinheiro vivo)


Oddbins (garrafa de vinho — essencial)


Rugs to Riches (o quê? Ah sim, o tapete. Tapete danadinho)


La Senza (roupa de baixo sexy para sair com James)

Agent Provocateur (uma roupa de baixo mais sexy ainda para sair com James. Ah. Eu precisava disso)


Body Shop (aquele negócio de escovar a pele que eu preciso usar)


Next (saia branca bem sem graça — mas estava em liquidação)


Millets…


Paro ali. Millets? Eu nunca entro na Millets. Que diabos estaria eu fazendo na Millets? Intrigada fixo o olhar no extrato, franzo a sobrancelha e procuro pensar — e então, de repente, a verdade aparece. É óbvio. Alguém mais está usando meu cartão.
Ah, meu Deus. Eu, Rebecca Bloom, fui vítima de um crime.
Agora tudo faz sentido. Algum criminoso roubou meu cartão de crédito e forjou minha assinatura. Quem sabe onde mais eles o usaram? Não é para menos que meu extrato está tão preto de números! Alguém resolveu farrear por Londres à custa do meu cartão — e achou que conseguiria escapar.


Mas como conseguiram? Procuro minha carteira de dinheiro na bolsa, abro-a — e ali está meu cartão VISA me fitando. Pego e olho para ele. Alguém certamente o roubou de minha carteira, usou — e depois devolveu. Deve ser alguém que conheço. Ah, meu Deus. Quem?


Examino pelo escritório com um olhar desconfiado. Quem quer que tenha sido não prima pela inteligência. Usar meu cartão na Millets! É quase uma piada. Como se algum dia eu fosse comprar ali.


— Nunca nem entrei na Millets! — digo alto.


— Entrou sim — diz Clare.


— O quê? — viro para ela, nada contente por ter sido interrompida. — Não, não entrei.


— Você comprou o presente de despedida de Michael na Millets, não foi?


Olho para ela e sinto meu sorriso desaparecer. Ah, estraga-prazeres. Claro. O casaco azul para Michael. O casaco de neve azul brega da Millets.


Três semanas atrás quando Michael, agente de nossa editora, foi embora, voluntariei-me para comprar-lhe o presente. Levei o envelope marrom cheio de moedas e notas para a loja e escolhi um casaco de neve (acredite-me, ele é esse tipo de homem). E, no último minuto, agora me lembro, decidi pagar com o cartão e guardar o trocado para meu uso.


Recordo-me muito bem de ter escolhido as quatro notas de 5 libras e tê-las cuidadosamente guardado na minha carteira, separando as moedas grandes e colocando-as no compartimento de moedas, despejando o resto do trocado no fundo da bolsa. “Ah, que bom”, lembro-me de ter pensado. “Não vou precisar ir ao caixa eletrônico.” Pensei que aquelas sessenta libras durariam semanas.


Então o que aconteceu? Não posso simplesmente ter gasto sessenta libras sem perceber, posso?


— Por que está perguntando afinal? — diz Clare inclinando-se para mim. Seus olhos de raios X brilhando atrás dos óculos. Ela sabe que estou olhando para minha conta do VISA.


— Nenhuma razão — digo eu e, de uma forma brusca, virando para a segunda folha do extrato.


Mas algo me interrompe. Em vez de fazer o de sempre — fixar os olhos no valor do Pagamento Mínimo e ignorar completamente o total — me vejo fixando o número no pé da página.


Novecentas e quarenta e nove libras, sessenta e três centavos. Em branco-e-preto bem nítido.


Em silêncio, contemplo durante trinta segundos, logo depois empurro a conta de volta para dentro do envelope. Naquele momento sinto como se aquele pedaço de papel não tivesse nada a ver comigo. Talvez se, por algum descuido, o deixasse cair no chão atrás do meu computador, ele desaparecesse. O pessoal da limpeza o varrerá e eu poderei dizer que nunca o recebi. Não podem me cobrar por uma conta que nunca recebi, podem?


Já estou redigindo uma carta mentalmente. “Prezado Gerente do cartão VISA. Sua carta confundiu-me. A que conta está se referindo precisamente? Nunca recebi nenhuma conta de sua parte. Não gostei do tom de sua carta e devo avisá-lo de que estou escrevendo para Anne Robinson da Watchdog.”


Ou sempre existe a opção de me mudar para o exterior.


— Becky? — Levanto a cabeça abruptamente e vejo Clare olhando para mim.


Você já terminou o texto sobre o Lloyds?


— Quase — minto. Como ela está me observando, sinto-me forçada a trazê-lo para a tela do meu computador só para mostrar força de vontade. Mas a chata ainda está me observando.


“Quem economiza pode beneficiar-se do acesso instantâneo” — digito no computador, copiando diretamente de um release à minha frente. — “A conta também está oferecendo taxas de juros diferenciadas para quem investe mais de 5.000 libras.”


Digito um ponto final, tomo um gole de café e viro para a segunda página do release.


É isto que faço, por falar nisso. Sou jornalista de uma revista financeira. Sou paga para dizer às outras pessoas como administrar seu dinheiro.


Não é a carreira que eu sempre quis, claro. Ninguém que escreve sobre finanças pessoais jamais pensou em fazê-lo. Todos dizem que “caíram” nas finanças pessoais. Estão mentindo. O que eles querem dizer é que não conseguiram um emprego para escrever sobre nada que fosse mais interessante. Querem dizer que se candidataram para empregos em The Times, no Express, na Marie-Claire, na Vogue, na GQ e na Loaded, mas só receberam um fora.
 Obviamente ainda não sei nada sobre finanças. As pessoas no ponto de ônibus sabem mais sobre esse assunto do que eu. As crianças nas escolas sabem mais do que eu."

Pense Moda - 3º Dia

Para o filósofo norueguês, Lars Svendsen, a crítica de moda ainda está imatura. Por a moda não ser uma commodity qualquer, mas um objeto de estudo sócio-comportamental, a crítica que instiga e ensina a ter um ponto de vista é fundamental.
O que vemos são interesses comerciais por trás dos veículos de comunicação, prestação de serviços e troca de favores. As publicações preocupam-se mais com anunciantes que injetam dinheiro, que com o público leitor. A indústria não aceita críticas desfavoráveis, e as críticas que ressaltam somente o lado positivo acabam  perdendo credibilidade, por isso vemos resenhas supérfluas e extremamente técnicas.
Ligações entre indústria, jornalistas e críticos, deveriam desafiar, instigar e incentivar profissionais. A crítica de moda só pode existir com um certo nível de independência em relação aos interesses comerciais.



A eterna renovação do estilo street foi tema da mesa-redonda composta por  Renata Simões (jornalista), Alberto Hiar (dono na Cavalera), Baixo Ribeiro (da Galeria Choque Cultural) e Carol Sanchez (marketeira streetwear).O apelo fashion que o street ganhou nos últimos tempos, inspira marcas de todo o mundo e amantes da moda também. Talvez tenha começado nos 80's com Weastwood e Gaultier de forma revolucionária, e aos poucos os movimentos urbanos inspiravam cada vez mais os criadores. Esportes urbanos e música como o hip hop aliam-se à moda, e são abertas as portas do supermercado de estilos: liberdade de escolhas para transitar em diversos estilos, com muita personalidade. Hiar, bem urbaninho, ó:



Daí que a última sabatina foi com Paulo Martinez, o maravilhoso editor de moda da Mag!, que falou sobre seu trabalho de stylist, que nunca se sobrepõe ao do estilista e da importância das campanhas e editoriais. Contou sua trajetória até chegar onde está hoje, onde busca inspirações e disse que seguir tendência é uma chatice. Adorei tudo nele!


11 de nov de 2009

Pense Moda - 2º Dia

Fause Haten , Roberto Davidowicz e Geni Ribeiro discutiram,  sobre marcas com administrações familiares que passam a ser adquiridas por grupos "de luxo". O que sempre funcionou no exterior, parece não começar muito bem por aqui. Fause vendeu sua marca para o grupo I'M - sem sucesso. O motivo é simples: a moda no exterior tem um tempo de vida muito mais longo do que a nossa, teve mais tempo para erros e acertos, além de que aqui há preocupação demais com o dinheiro e de menos com a criação. A solução seria investir no criativo, buscando um diferencial. Se depender desse look, estamos a salvo, certo?



Os franceses Maroussia Rebecq (estilista do projeto Andrea Crew, baseada no conceito da reciclagem - transforma roupas antigas e materiais descartados em roupas cheias de personalidade) e Jean Michel Bertin (diretor de filmes publicitários, editoriais de moda, campanhas e desfiles da Hermès, Lacoste, Miu Miu... trabalha com materiais brutos, transformando conceitos simples em imagens espetaculares), mostraram imagens e vídeos sobre seus trabalhos, inspirando jovens profissionais a conquistar um espaço autoral próprio. Além de sustentabilidade e individualidade, mostram que a criatividade não depende somente de recursos financeiros. Hm, estava esperando Maroussia vestida de saco de lixo, mas enfim...




Na Sabatina com Carlos Miele, o estilista reconhecido em NY, Paris, Roma e SP, e que comanda a M.Officer falou sobre a trajetória de suas marcas, o mercado internacional, a produção de seus produtos, o consumidor, as estratégias de comunicação e a importância da formação na vida do estilista. É um fofo!


5 de nov de 2009

Pense Moda - 1º Dia

Hoje começou o Pense Moda, um projeto da Renner que não quer mostrar tendências, mas fazer um intercâmbio cultural entre diversas áreas da moda, afim de inspirar discussões para o crescimento da moda brasileira.
Houve um debate com profissionais brasileiros sobre o futuro da mídia, partindo do pressuposto que as empresas ainda não encontraram uma forma de comunicação realmente efetiva com os consumidores; além de palestras com grandes nomes:

David Mallet, hairstylist queridíssimo de grandes marcas - grandes mesmo (Chanel, Dior,etc) - e celebrities como Carla Bruni e Demi Moore. (Muito fino!)



Cecilia Dean, editora da Visionaire - publicação trimestral que reúne trabalhos dos mais influentes e relevantes artistas, servindo como uma verdadeira fonte de inspiração. (Brilho assim é pra quem pode!)



Sabatina com Gloria Kalil, consultora de moda e jornalista, respondeu perguntas sobre temas como o que é tendência para ela, a publicação de seus livros e sua história com a Fiorucci no Brasil. (Amei o look PB + bolsa laranja!)



O designer José Gayegos estava lá conferindo, todo se garantindo, olha aí:



O look da mestre de cerimônias Marina Dias:

4 de nov de 2009

Cafe de la Musique em Poa


O Café de La Musique chega em Porto Alegre com tudo, e abre as portas para seus convidados amanhã, dia 05 de novembro, nos altos da Protásio Alves, com direito a uma vista privilegiada da cidade. A conceituada casa noturna que também é um dining club, já faz sucesso em São Paulo, Jurerê Internacional e Curitiba.

Em seis ambientes, comporta 800 pessoas e oferece vagas para 280 carros. Dois ambientes foram decorados com a ajuda dos estilistas Waldemar Iódice e Ricardo Almeida. A proposta é mudar a ambientação a cada 6 meses, já que a casa noturna 'de griffe' não quer correr o risco de cair na rotina.

3 de nov de 2009

Coco antes de Chanel - Figurino


A Chanelmania ainda não estourou no Brasil, já que o filme "Coco Antes de Chanel" ainda não chegou às telas daqui. Mesmo assim, os fashionistas tupiniquins devem manter-se informados. Abaixo seguem informações sobre o figurino do filme, desenvolvido por Catherine Leterrier.

Deve ter sido um desafio criar o vestuário para um dos maiores ícones da moda, pois no filme, todos os visuais são antes de se tornar estilista, quando era uma milliner [criadora de chapéus]. Exceto no final, quando há um desfile com o resumo de seu trabalho - somente estas peças foram escolhidas no museu da Chanel.

A pesquisa foi feita por período e inspirada em fotos famosas da própria Coco. No filme, são vistas peças com as listras de marinheiro - há uma cena em que ela está na praia e vê pescadores usando roupas listradas, o que lhe dá a ideia - uso de cores como preto, bege e off-white, e tecidos que ela preferiu mais tarde. Étienne Balsan, seu amante na época, usa tweed, com o qual ela trabalhou a vida toda e que foi inspirado no Duque de Westminster. Há preto e vermelho, paetês pretos, o famoso laço no cabelo, canotiers [tipo de chapéu]. Tem muito detalhe, como uma gravata preta em laço por cima de uma camisa branca.


Cerca de 800 chapéus fizeram parte do figurino durante as gravações (feitos, alugados ou comprados). Os figurantes usam chapéus que parecem muito complicados, exagerados, do jeito que Chanel não gostaria que fossem - os dela são diferentes, arquitetônicos.


Há um vestido que Chanel rouba quando é cantora de cabaré, para usar em um teste. Ele é rosa avermelhado, ao estilo das cantoras e dançarinas de cabaré da época. Ele não é Chanel. É meigo.


As roupas estão em turnê - e virão para o Brasil em breve - a Cinemathèque e a Chanel ficarão com algumas peças depois. Abaixo, croqui de Catherine Leterrier para figurino do filme.